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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Estrada de Ferro Madeira Mamoré

A Construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré (1870-73 - +/- 1879)

Por Antônio Cândido da Silva - Autor de Madeira Mamoré – O Vagão dos Esquecidos


A ocupação do Vale do Guaporé pelos portugueses, e mais tarde, o alto preço da borracha no mercado mundial, levou toda a região do alto Madeira e Mamoré a intensificar a produção da colheita do látex. Por outro lado, era já um sonho antigo a ligação do Mato Grosso (Vila Bela) com o Atlântico, pelos dos rios Guaporé, Mamoré, Madeira e Amazonas. A Bolívia, que fazia parte do território de Charcas, após a guerra pela independência, perdeu para o Peru a saída que tinha para o mar, nascendo daí o interesse em chegar ao Atlântico, pelos rios brasileiros.

As cachoeiras do rio Madeira eram as grandes dificuldades naturais para o escoamento da produção comercial do Brasil e da Bolívia, pelos rios da região que agora, com o Tratado da Amizade, Limites, Navegação, Comércio e Extradição, promulgado em 27 de março de 1867, dava à Bolívia o direito de, pelos rios brasileiros, chegar com seus produtos até o Atlântico.

A idéia de se construir uma ferrovia partiu do general boliviano Quentin Quevedo e do engenheiro brasileiro João Martins da Silva Coutinho, o primeiro descendo o rio Madeira em 1861, e o segundo subindo o rio no mesmo ano, por determinação do presidente da província do Amazonas e de cujo relatório consta que:

“Da primeira a última cachoeira há 70 léguas, segundo o major Serra. O melhor meio de transpor esse obstáculo é abrir uma estrada que ligue os dois pontos extremos, pela margem direita. A estrada pode vir a ter 50 léguas, em conseqüência da grande curva que descreve o rio ao poente. Da última cachoeira à Vila Bela podem navegar vapores que demandem de seis a sete palmos d’água. No caso de construir-se uma estrada de ferro para vencer as cachoeiras a viagem da Corte ( Rio de Janeiro ) à Vila Bela podia ser feita em um mês”.

Por ordem do imperador Dom Pedro II, em 27.03.l867, foi criada a comissão chefiada por Fraz Keller para fazer os estudos preliminares para a construção de uma ferrovia na área das cachoeiras. Enquanto isso, no México, Quentin Quevedo veio conhecer George Earl Church ( foto ao lado), que se interessou por seu projeto para construir a ferrovia.

Após conseguir o aval do governo boliviano e a permissão brasileira para a construção, Church, na Inglaterra, conseguiu financiar o seu projeto com a condição de que a firma inglesa Public Works fosse a empresa construtora.

No dia 26 de junho de 1872, vinte e cinco engenheiros ingleses com grande quantidade de material, desembarcaram em Santo Antônio do Madeira, que seria o ponto inicial da ferrovia. Um ano depois, em 09.07.1873, os ingleses abandonaram tudo ao relento, vencidos pelas doenças que assolavam a região, sem haver assentado um único trilho.

Para tentar restabelecer a confiança no empreendimento, Church tenta conseguir uma empresa que com recursos próprios, iniciasse os trabalhos e implantasse os primeiros quilômetros da ferrovia. Essa firma seria a Dorsay & Caldwell, empresa americana, que assinou o contrato em 17 de setembro de 1873, comprometendo-se a implantar os 15 primeiros quilômetros da ferrovia com o material já existente em Santo Antônio, deixado pela Public Works.

Em fins de janeiro de 1874, um engenheiro, um ajudante e dez trabalhadores, chegavam a Santo Antônio, para voltar, poucos dias depois, doentes e apavorados pela morte de um dos trabalhadores e a empresa Dorsay & Caldwell, transfere a concessão para a construção da ferrovia à empresa empreiteira de Londres, a Reed Bross. & Co.

"No dia 24 de janeiro de 1874, chegaram a Manaus um engenheiro, um ajudante de engenheiro e dez trabalhadores, todos norte – americanos, enviados pela firma Dorsay & Caldwell. Imediatamente seguiram para Santo Antônio, onde iriam tomar as medidas necessárias para o início dos trabalhos"

Em agosto de 1875, a demanda judicial no tribunal inglês favorecia as aspirações de Church que tentou, junto À Reed Bross & Co., Iniciar os trabalhos, no entanto a empresa inglesa não demonstrou o menor interesse no negócio, por isso, em 18 de janeiro de 1877, Church anula o contrato com a empresa, indenizando-a em 25.000 libras, e parte para os Estados Unidos, desesperado, para reiniciar os trabalhos e provar que a Public Works não tinha razão quando declarou nos tribunais de Londres que a construção da ferrovia era uma missão impossível de ser realizada.

O processo judicial movido contra a Madeira - Mamoré Railway Co. Ltda. favorecia os sonhos de Church; bastava que ele conseguisse uma empresa que, com recursos próprios, iniciasse a implantação da ferrovia, para que o dinheiro retido nos tribunais londrinos fosse liberado, em parcelas, de acordo com o andamento dos trabalhos.

Na Filadélfia, Church conhece Franklin B. Gowen, presidente da Philadelphia and Reading Coal and Iron Co., que previu a possibilidade de fornecer por meio de sua Companhia, o material necessário para a implantação da ferrovia, leva Church até os irmãos Phillip e Thomas Collins e o contrato entre a P.&T. Collins e a Madeira — Mamoré Railway Co. é assinado em 25 de outubro de 1877.

Os jornais americanos fizeram uma campanha maciça de divulgação, mostrando a competência da nação que ia implantar em plena selva amazônica uma estrada de ferro, e mostrar ao mundo as belezas do paraíso terrestre. Tudo era preparado em clima de festa, como se a grande tarefa não passasse de um piquenique que viriam fazer na floresta tropical.

A partida se deu do porto da Filadélfia, no dia 4 de janeiro de 1878 e foi em clima de festa que o vapor Mercedita deixou o cais naquela noite, levando no seu bojo, 54 engenheiros que representavam a nata da engenharia americana na construção de ferrovias, grupo igual nunca antes reunido em empreitada desse tipo, além dos demais componentes da equipe, no total de 227 pessoas, o Mercedita transportava, ainda, 200 toneladas de máquinas e ferramentas e 350 toneladas de carvão mineral.

Em Belém, o grupo dividiu-se em dois e a primeira turma chegou a Santo Antônio no dia 19 de fevereiro no vapor Arari, fretado pela Companhia, e no dia 7 de março, rebocado pelo Arari, chega o Mercedita com o restante do pessoal.

Além do Mercedita, outro navio, o Metrópolis, que também saiu do porto da Filadélfia, naufragou na praia de Currituck, onde foram recolhidos 80 mortos, dos duzentos e quarenta e seis passageiros embarcados, além de perder todo o material que transportava.

A insalubridade de “Santo Antônio, o lugar onde o diabo perdeu as botas”, aliada à falta de alimentação começaram a fazer as suas vítimas. No dia 23 de março, Thomas Collins chega a Santo Antônio e começam a construção de uma serraria, um armazém, duas residências e é iniciado, também, o “Casarão” que ainda hoje pode ser visto em Santo Antônio.

Entre os trabalhadores trazidos por Thomas Collins vieram 218 italianos, que aqui passaram a exigir salários iguais aos americanos e irlandeses que faziam parte de uma turma de funcionários qualificados. Como não conseguiram seu intento, rebelaram-se. Thomas Collins prendeu e deportou para Manaus os líderes do movimento. Alguns desceram o rio Madeira em jangadas e 75 deles fugiram pela mata em direção à Bolívia, sem nenhum instrumento, e nunca mais se teve notícia deles.

A partir de maio, praticamente todo o pessoal estava doente por causa da má alimentação e falta de medicamentos. A situação foi se agravando e em agosto, término do contrato, praticamente todo o pessoal abandonou o trabalho.

Em julho, a situação se agravou e apesar de estar decretada a falência da empresa, Thomas Collins não perdia o entusiasmo. Em setembro, com a chegada de 400 nordestinos vindos do Ceará, sobreviventes da grande seca e da peste de 1877, o trabalho continua, no entanto, os nordestinos “morriam como moscas” e Santo Antônio era a imagem da desolação.

A partir de janeiro de 1879, não havia mais o que fazer. Os poucos americanos que resistiam estavam doentes e famintos. Mister Collins e George Gray foram atacados pelos índios e, apesar de flechados, escaparam com vida por milagre. Finalmente, no dia 19 de agosto de 1879, os últimos sobreviventes deixam Santo Antônio, abandonando tudo, deixando de positivo apenas sete quilômetros de trilhos assentados e o levantamento topográfico de cento e dez quilômetros.

As Comissões Morsing (1883) e Pinkas (1884) -Inspeção da construção da E.F.M.M.

Três anos depois, por ordem do imperador do Brasil, foi criada em 25.11.1882, uma comissão chefiada pelo engenheiro Carlos Alberto Morsing, destinada a fazer o levantamento para a construção da ferrovia. A sua chegada a Santo Antônio aconteceu em 19 de março de 1883.

Pouco tempo depois, vários membros da Comissão encontravam-se doentes, inclusive Carlos Morsing, que viaja para tratamento de saúde, deixando na chefia o Engº Júlio Pinkas que consegue resistir até o dia 19 de agosto desse mesmo ano quando viaja para Manaus com os demais sobreviventes.

Carlos Morsing retorna, chegando a Manaus no dia 4 de setembro, termina o levantamento e apresenta o seu relatório que foi contestado pelo Engº Pinkas. Diante disso, o governo determina que Carlos Morsing volte e refaça o seu trabalho.

Carlos Morsing se recusa e Pinkas é nomeado o novo chefe da comissão, cujo resultado final também foi contestado pelos engenheiros que tinham em Carlos Morsing um exemplo de competência.

Com a assinatura do Tratado de Petrópolis em 17 de novembro de 1903, entre a Bolívia e o Brasil, agora sob o regime republicano, para resolver os problemas de fronteira entre os dois países. Com o incidente do Acre, o governo brasileiro obriga-se a construir uma ferrovia em território brasileiro no trajeto entre Santo Antônio, no rio Madeira até Guajará-Mirim, no rio Mamoré.

A 2ª fase da construção da E.F.M.M. (1907-1912) - Farquar

A concorrência foi vencida pelo Engº Joaquim Catramby (“testa-de-ferro de Farquar) que, mais tarde, vendeu-a a Percival Farquar.

Embora Santo Antônio já fosse um pequeno povoado, os americanos resolveram, por várias razões, iniciar a construção da ferrovia, sete quilômetros abaixo de Santo Antônio, no lugar denominado Porto Velho, levando com isso o governo brasileiro a renegociar a cláusula VII do Tratado de Petrópolis.

Farquar criou a Madeira Mamoré Railway Co. e por meio dela contrata os serviços da empresa May & Jakyll que depois junta-se a John Randolph, formando assim a May Jakyll & Randolph, responsável pela construção. Os trabalhos seriam supervisionados pela Madeira – Mamoré Railway Co. Saíram de New York em 6 de maio de 1907 e chegaram a Santo Antônio em 20 de junho do mesmo ano.

Naquele ano fizeram o levantamento do acervo deixado pela P.& T. Collins, foi construído o hospital da Candelária e os serviços de frente já se encontravam adiantados. No entanto, as doenças já faziam as suas primeiras vítimas e o relatório do hospital, naquele ano, registrava o falecimento de seis pessoas.

No final de 1909, a ferrovia já contava com 74 quilômetros construídos e Farquar consegue junto ao governo brasileiro, o arrendamento da ferrovia e de vários seringais, pelo prazo de 60 anos. Em dezembro desse ano, Rondon chegava a Porto Velho, concluindo a trilha para a implantação da linha telegráfica, Cuiabá – Santo Antônio.

No ano de 1910, Osvaldo Cruz e Belisário Pena estiveram no local da construção da ferrovia, para estudar uma maneira de fazer o saneamento da área e, também nesse ano, os trilhos chegavam à cachoeira de Três Irmãos.

No dia 7 de setembro de 1911, os trabalhos de implantação da ferrovia chegam a Abunã e, em 31 de abril do ano seguinte, atinge Guajará – Mirim, sendo inaugurada no dia 1º de agosto.

Dos homens contratados pela empresa construtora, num total de 21.8l7, haviam falecido 1522 durante o período da construção.

A Estrada de Ferro Madeira – Mamoré estava concluída, no entanto a Bolívia, nesse ano, já chegava ao Pacífico por duas ferrovias e estava sendo concluída a sua ligação com o Atlântico, pela Argentina. O canal do Panamá estaria concluído dentro de três anos e, com isso, a Madeira – Mamoré só daria lucro nos dois primeiros anos de atividades, pois a produção ordenada dos seringais do Oriente fariam cair o preço da borracha no comércio internacional.

A grande recessão mundial, que começou em 1914, levou Percival Farquar à falência em 1919 e, só então, os investidores ingleses e canadenses que tinham recursos administrados por Farquar, verificaram que o dinheiro de suas ações havia sido utilizado para a constituição da Empresa Madeira – Mamoré Railway Co., e por força do contrato de concessão firmado com o governo Brasileiro foram obrigados a assumir a administração da ferrovia, o que fizeram durante doze anos.

Em 30 de junho de 1931, os ingleses pararam as atividades da ferrovia durante 8 dias, e, com isso, o contrato foi rompido. Foi assim que, no dia 10 de julho de 1931, por determinação do Presidente Getúlio Vargas, Aluízio Pinheiro Ferreira, assume a direção da ferrovia, no entanto, somente em 5 de abril de 1937, o contrato foi oficialmente rescindido com o pagamento do acervo construído pela Madeira – Mamoré Railway Co.

FONTE: portovelho.ro.gov.br













sábado, 28 de março de 2009

Porto Velho - A formação

Porto Velho

Uma breve história


Oficializada em 2 de outubro de 1914, Porto Velho foi criada por desbravadores por volta de 1907, durante a construção da E.F. Madeira- Mamoré. Em plena Floresta Amazônica, e inserida na maior bacia hidrográfica do globo, onde os rios ainda governam a vida dos homens, é a Capital do estado de Rondônia. Fica nas barrancas da margem direita do rio Madeira, o maior afluente da margem direita do rio Amazonas.

A formação da cidade... A origem do nome

Desde meados do sec. XIX, nos primeiros movimentos para construir uma ferrovia que possibilitasse superar o trecho encachoeirado do rio Madeira (cerca de 380km) e dar vazão à borracha produzida na Bolívia e na região de Guajará Mirim, a localidade escolhida para construção do porto onde o caucho seria transbordado para os navios seguindo então para a Europa e os EUA, foi Santo Antônio do Madeira, província de Mato Grosso. As dificuldades de construção e operação de um porto fluvial, em frente aos rochedos da cachoeira de Santo Antônio, fizeram com que construtores e armadores utilizassem o pequeno porto amazônico localizado 7 km abaixo, em local muito mais favorável. Era chamado por alguns de "porto velho dos militares", numa referência ao abandonado acampamento da guarnição militar que ali acampara durante a Guerra do Paraguai (essa guarnição ali estivera como precaução do Governo Imperial contra uma temida invasão por parte da Bolívia, aparentemente favorável a Solano Lopes).
Em 15/01/1873, o Imperador Pedro II assinou o Decreto-Lei nº 5.024, autorizando navios mercantes de todas as nações subirem o Rio Madeira. Em decorrência, foram construídas modernas facilidades de atracação em Santo Antônio, que passou a ser denominado "porto dos vapores" ou, no linguajar dos trabalhadores, "porto novo". O porto velho dos militares continuou a ser usado por sua maior segurança, apesar das dificuldades operacionais e da distância até S. Antônio, ponto inicial da EFMM. Percival Farquar, proprietário da empresa que afinal conseguiu concluir a ferrovia em 1912, desde 1907 usava o velho porto para descarregar materiais para a obra e, quando decidiu que o ponto inicial da ferrovia seria aquele (já na província do Amazonas), tornou-se o verdadeiro fundador da cidade que, quando foi afinal oficializada pela Assembléia do Amazonas, recebeu o nome Porto Velho . Hoje, a capital de Rondônia.

Após a conclusão da obra da E.F.M-M em 1912 e a retirada dos operários, a população local era de cerca de 1.000 almas. Então, o maior de todos os bairros era onde moravam os barbadianos - Barbadoes Town - construído em área de concessão da ferrovia. As moradias abrigavam principalmente trabalhadores negros oriundos das Ilhas Britânicas do Caribe, genericamente denominados "barbadianos". Ali residiam pois vieram com suas famílias, e nas residências construídas pela ferrovia para os trabalhadores só podiam morar solteiros. Era privilégio dos dirigentes morar com as famílias. Com o tempo passou a abrigar moradores das mais de duas dezenas de nacionalidades de trabalhadores que para cá acorreram. Essas frágeis e quase insalubres aglomerações, associadas às construções da Madeira-Mamoré foram a origem da cidade de Porto Velho, criada em 02 de outubro de 1914. Muitos operários, migrantes e imigrantes moravam em bairros de casas de madeira e palha, construídas fora da área de concessão da ferrovia.
Assim, Porto Velho nasceu das instalações portuárias, ferroviárias e residenciais da Madeira-Mamoré Railway. A área não industrial das obras tinha uma concepção urbana bem estruturada, onde moravam os funcionários mais qualificados da empresa, onde estavam os armazéns de produtos diversos, etc. De modo que, nos primórdios haviam como duas cidades: a área de concessão da ferrovia e a área pública. Duas pequenas povoações, com aspectos muito distintos. Eram separadas por uma linha fronteiriça denominada Avenida Divisória, a atual Avenida Presidente Dutra. Na área da "railway" predominavam os idiomas inglês e espanhol, usados inclusive nas ordens de serviço, avisos e correspondência da Companhia. Apenas nos atos oficiais, e pelos brasileiros era usada a língua portuguesa.

Cada uma dessas povoações tinham comércio, segurança e, quase, leis próprias. Com vantagens para os ferroviários, face a realidade econômica das duas comunidades. Até mesmo uma espécie de força de segurança operava na área de concessão da empresa, independente da força policial do estado do Amazonas. Essa situação gerou conflitos freqüentes, entre as autoridades constituídas e os representantes da "Railway".
Portanto, embora as mortes a lamentar durante sua construção tenham sido muitas, a ferrovia da morte, como chegou a ser denominada a Estrada de Ferro Madeira Mamoré é, na verdade a "ferrovia da vida", para Porto Velho e seu povo.

A importância da EFMM para a formação da cidade pode ser medida pelo texto da lei de sua criação, aprovada pela Assembléia Legislativa do Amazonas, que diz:

Art. 2o. - O Poder Executivo fica autorizado a entrar em acordo com o Governo Federal, a Madeira-Mamoré Railway Company e os proprietários de terras para a fundação immediata da povoação, aproveitando na medida do possível, as obras do saneamento feitas alí por aquella companhia, e abrir os créditos necessários à execução da presente lei. <<>>

Nos seus primeiros 60 anos, o desenvolvimento da cidade esteve umbilicalmente ligado às operações da ferrovia. Enquanto a borracha apresentou valor comercial significativo, houve crescimento e progresso. Nos períodos de desvalorização da borracha, devido às condições do comércio internacional e à inoperância empresarial e governamental, estagnação e pobreza.

Tempos magros

Quando a borracha da Malásia tornou proibitivo o preço da borracha da Amazônia no mercado mundial, a economia regional estagnou. A gravidade da crise foi conseqüência da falta de visão dos líderes empresariais da época, principalmente os denominados "barões da borracha", cuja imensa capitalização no período de fausto foi usada apenas para obras e ações improdutivas, e governamental, o que resultou na completa ausência de alternativas para o desenvolvimento regional.
Estagnaram, e empobreceram também as cidades. Da vila de Santo Antonio do Madeira, que chegou a contar com uma pequena linha de bonde e jornal semanal ao tempo em que se iniciava Porto Velho, resta hoje uma única construção. A sobrevivência de Porto Velho está associada às melhores condições de salubridade da àrea onde foi construída, da facilidade de acesso pelo rio durante o ano todo, do seu porto, da necessidade que a ferrovia sentia de exercer maior controle sobre os operários para garantir o bom andamento das obras, construindo para tanto residências em sua área de concessão, e, até mesmo, de uma certa forma, ao bairro onde moravam principalmente os barbadianos trazidos para a construção.
Desenvolvendo-se sobre uma pequena colina ao sul da cidade, ainda em área da ferrovia, surgiu o bairro denominado originalmente de Barbadoes Town (ou Barbedian Town), embora posteriormente se tenha tornado mais conhecido como o Alto do Bode. O núcleo urbano que então existia em torno das instalações da EFMM, inclusive e com muito significado, o Alto do Bode, serviu de justificativa para a consolidação de Porto Velho como a capital do Território Federal do Guaporé, em 1943. Essa pequena colina foi arrasada no final dos anos 60, e o Alto do Bode desapareceu. Ao longo do período que vai de 1925 a 1960, o centro urbano adquiriu feições definitivas. O sistema viário de bom traçado e o sistema de esgotos da região central são heranças dos previdentes pioneiros; os prédios públicos, o bairro Caiarí, etc..., são provas de que, mesmo em meio à grandes dificuldades, é possível construir e avançar.
Sòmente com a erupção da segunda guerra mundial, e a criação dos territórios federais em 1943, ocorreu novo e rápido ciclo de progresso regional. Esse surto decorreu das necessidades de borracha das forças aliadas, que haviam perdido os seringais malaios na guerra do Pacífico, e produziu o denominado "segundo ciclo da borracha". Finda a guerra, novamente a economia regional baseada na borracha, e dirigida com imprevidência e incapacidade empreendedora, entrou em paralisia.

Porto Velho atual

A moderna história de Porto Velho começa com a descoberta de cassiterita (minério de estanho) nos velhos seringais no final dos anos 50, e de ouro no rio Madeira. Mas, principalmente, com a decisão do governo federal, no final dos anos 70, de abrir nova fronteira agrícola no então Território Federal de Rondônia, como meio ocupar e desenvolver essa região segundo os princípios da segurança nacional vigentes. Além de aliviar tensões fundiárias principalmente nos estados do sul, por meio da transferência de grandes contingentes populacionais para o novo "Eldorado"
Quase 1 milhão de pessoas migrou para Rondônia, e Porto Velho evoluiu rapidamente, de 90.000 para 300.000 habitantes. Para efeito comparativo com o restante do país, vejamos a tabela seguinte (ver também a seção Um pouco de geografia, abaixo):

Taxa de crescimento populacional (%)










A cidade (e o estado) tornou-se um novo caldeirão cultural, onde se misturam hábitos e sotaques de todos os quadrantes do país. Juntaram-se ao Boi- bumbá e forró (de origem nordestina), o vaneirão (gaúcho); ao tacacá e açaí, o chimarrão; à alpercata, a bota e o chapéu de vaqueiro. O desenvolvimento da pecuária incorporou as festas de peões e os rodeios aos folguedos juninos.
Esta migração intensa provocou um explosivo crescimento da cidade, particularmente na década de 80. Hoje a urbe mostra as feridas decorrentes desse crescimento desordenado. Os bairros periféricos são pouco mais que um aglomerado de casebres de madeira cobertos de palha, sem ordenação ou infra-estrutura. Em grande parte resultam de invasões de terras ainda não ocupadas, por parte de uma população sem teto, que aqui chegava num ritmo não acompanhado pelas instituições públicas. Os nomes desses bairros expressam bem as condições de sua criação. São o Esperança da Comunidade, o Pantanal, o Socialista, etc.
Apenas o centro, uma herança dos desbravadores, apresenta características de urbanização definidas. Os bairros que se interpõe entre o centro e a periferia, mostram bem essa condição. Ruas ainda por asfaltar e sem calçadas, rede de esgotos inexistente, casebres de madeira ao lado de belas residências. A redução na taxa de crescimento demográfico da década atual, por outro lado, tem permitido que rapidamente os moradores e os órgãos públicos implementem melhorias que já são visíveis.
A cidade hoje conta com a Universidade Federal de Rondônia (UNIR), que dispõe de campus avançados em diversas cidades do interior, e quatro faculdades particulares, formando entre outros profissionais: advogados, economistas, matemáticos, contabilistas, administradores, geógrafos, odontólogos, biólogos e processadores de dados. A rede escolar de primeiro e segundo graus absorve a população estudantil. Não sem as deficiências que se observam em todos os setores da educação, em todo o país, se isso pode servir de consolo.
Nesse ponto, vale uma observação: além da Madeira-Mamoré, o rio Madeira foi e é fundamental para a vida da cidade. E há uma verdadeira relação de amor entre a população e o rio, do qual se diz que, quem bebe de suas águas, ainda que vá embora, volta sempre.
Navegando pelos rios Madeira e Amazonas, a cidade encontra-se a 3.061km do litoral norte do Brasil, nas proximidades de Belém do Pará. São 1.108km pelo Madeira desde Porto Velho até a sua foz cerca de 200km a jusante de Manaus, e o restante pelo grande rio-mar, o Amazonas. Esta magnífica hidrovia natural poderá tornar-se em pouco tempo o grande impulsionador da economia do estado, e da cidade em particular, à medida que as melhorias que se vem implementando tornem mais seguras e rapidas as viagens até Manaus e Belém. A vida dos ribeirinhos (beiradeiros) certamente tornar-se-á mais fácil também.

Documentos Legais

• Criação do município: Lei No. 757 de 02/out/1914 cria o município de Porto Velho, instalado em 14/out/1914, parte do Estado do Amazonas, com sede no povoado de mesmo nome.
• O status de cidade: Lei No. 1.011 de 07/jul/1919 eleva a povoação sede da comarca de Porto Velho à categoria de cidade.
• Território Federal do Guaporé: Decreto Lei nº 5.812 de 13 de Setembro de 1943 cria o Território, unindo terras dos estados do Mato Grosso e Amazonas.
• O status de capital: Decreto Lei federal No. 5.839 de 21/set/43 define a cidade de Porto Velho como capital do Território Federal do Guaporé.
• Surge Rondônia: Lei federal No. 2.731, de 17/fev/56, em homenagem à Cândido Mariano da Silva Rondon, desbravador e humanista, altera para Território Federal de Rondônia, o nome do Guaporé.
• O estado de Rondônia: Lei Complementar No. 4, de 22/dez/81 cria o Estado de Rondônia, instalado em 04/jan/82, tendo Porto Velho como sua capital.

Um pouco de geografia

• Localização: longitude oeste: 63º 54' 14" latitude sul: 8º 45' 43"
• Clima: equatorial, quente e úmido.
• Temperaturas: máxima= 40ºC; mínima= 16ºC; média das máximas= 31,8ºC; média das mínimas= 27,7ºC.
• Período das chuvas (inverno amazônico) - dezembro a março.
• Período de calor (poucas chuvas: verão amazônico) - agosto a novembro.
• População (2000): Homens= 166.737 Mulheres= 167.924 Total= 334.661 Urbana= 273.709 Rural=60.952 (IBGE).
• Altitude: em relação ao nível do mar - 98m.
• Área do município : 34.069 km2.
• Distâncias : Porto Velho a
- Vilhena = 750 km
- Belo Horizonte = 3.050 km
- Brasília = 2.589 km
- São Paulo = 3.170 km
- Manaus = 905 km

• Evolução da população urbana e rural no município de Porto Velho:








Símbolos do Município

1. Brasão










2. Bandeira.











3. Hino do Município. Letra e Música de Cláudio Feitosa




No Eldorado uma estrela brilha
em meio à natureza, imortal:
Porto Velho, cidade e município,
orgulho da Amazônia ocidental,

são os seus raios estradas perenes
onde transitam em várias direções
o progresso do solo de Rondônia
e o alento de outras regiões.

Nascente ao calor das oficinas
Do parque da Madeira-Mamoré
pela forja dos bravos pioneiros,
imbuídos de coragem e de fé.

És a cabeça do estado vibrante:
És o instrumento que energia gera
para a faina dos novos operários,
os arquitetos de uma nova era.

No Eldorado uma gema brilha
em meio à natureza imortal:
Porto Velho, cidade município,
orgulho da Amazônia ocidental.

Bibliografia básica

• Antônio Cantanhede - Achegas para a história de Porto Velho. Escola Técnica - Manaus - 1970
• Manoel Rodrigues Ferreira - A Ferrovia do Diabo. Ed. Melhoramentos - S. Paulo - 1951(esg)
• Emanuel Pontes Pinto - Caiari, Lendas, Proto-história e História. Cia. Bras. de Artes Gráficas - RJ - 1986
• Emanuel Pontes Pinto - Rondônia: Evolução histórica. Ed. Expressão e Cultura - RJ - 1993.
• Abnael Machado de Lima - Terras de Rondônia. - IBGE - RJ - 1969
• Amizael Gomes da Silva - Amazônia Porto Velho. - PV - 1991
• Vitor Hugo - Desbravadores - 1a. Ed. 1959 / 2a. Ed. 1991
• Vitor Hugo - 50 anos do Território Federal do Guaporé 1943-1993 - Ed. SER - 1996
• Esron Penha de Menezes - Retalhos para a História de Rondônia Vol.1 - PMPV - 1980 & Vol.2 - RO - 1990
• Alcedo Sobral da Silva Marrocos - Uma História da Estrada de Ferro Madeira Mamoré; in Compêndio de História de Rondônia - FUNCER - 1993
• Federação das Indústrias do Estado - Rondônia - Perfil e Diretrizes - Um estudo da FIERO. Porto Velho - 1995.
• Paulo Nunes Leal - O Outro Braço da Cruz. Governo de Rondônia. Porto Velho - 1984
• Aparício Carvalho - Candelária - Luz e Sombra na trajetória da EFMM. Porto Velho, 1999. ABG Gráfica e Editora.
• Ovídio Amelio - história de Rondônia e Geografia de Rondônia - www. ro5.com.br

A MELHOR BIBLIOGRAFIA SOBRE O ESTADO DE RONDÔNIA
• MARCO ANTÔNIO DOMINGUES TEIXEIRA & DANTE RIBEIRO DA FONSECA - HISTÓRIA REGIONAL (RONDÔNIA) . ED. RONDONIANA, 2008, PORTO VELHO RO - madt@gmail.com

A Conquista e colonização da Amazônia e a submissão do indígena

História de Rondônia

A Conquista e colonização da Amazônia e a submissão do indígena

A colonização da Amazônia - que hoje corresponde aos estados do Amazonas e do Pará - foi estimulada pelas preocupações de garantir a posse e o acesso ao rio Amazonas e impe¬dir a presença de rivais de outros países. A base de ocupação se deu através do extrativismo vegetal e do apresamento indígena.
O extrativismo vegetal consistiu na exploração das chamadas "drogas do sertão”: cacau, guaraná, borracha, urucu, salsaparrilha, castanha-do-pará, gergelim, noz de pixurim, baunilha, coco, etc. Por isso, a escravidão tinha ali um terreno desfavorável, pois a exploração da Amazônia dependia do bom conhecimento da região. Daí a importância dos índios locais que serviam de guias. A forma predominante que caracterizou a integração da Amazônia ao conjunto da economia colonial foi o estabelecimento das missões jesuíticas, que chegaram a aldear perto de 50 mil índios.



HISTÓRIA DA COLONIZAÇÃO DA AMAZÔNIA


(Lílian Maria Moser)


“... Do rio das Amazonas afirmam os que descobriram que seus campos parecem Paraísos e suas ilhas jardins, e que se a arte ajudar a fecundidade do solo serão paraísos e jardins bem tratados.” (Alonso de Rojas)


Introdução

A abordagem que iremos realizar sobre a Amazônia, no seu processo de colonização será na perspectiva da História Social, em que os contextos sócio, político e econômico são responsáveis pela forma de colonização, numa relação que se estabelece entre o paradigma “Velho Mundo e o Novo Mundo”. Falar da Amazônia significa realizar uma viagem no tempo e tentar entender que os europeus imaginavam e pensavam a respeito dessa terra fantástica. O fantástico fora construído pelas histórias ainda durante a Idade Média, pois, segundo GONDIM,1994:16:

“...o imaginário do homem medieval estava povoado, por outro lado, pelas lendas que descreviam o mundo fantástico oriental, retratado nas viagens de Marco Polo (1251-1323), nas Maravilhas do mundo de Jehan de Mandeville (1300-1372), na Imago Mundi (1410) do cardeal frncês Pierre d’ Ailly (1350-1420), nas Etimologie (sec. VII) de Santo Isodoro de Sevilhe ou ainda na Navigatio Sancti Brendani (séc.X)¨.
Essas histórias fantásticas acompanharam a humanidade no decorrer dos séculos, em que homens e mulheres procuravam viver uma outra realidade. É a procura do Paraíso, longe de vários problemas e doenças, das pestes, da fome e da dor. É a representação de viver eternamente, feliz e próspero. É o

sonho daquelas pessoas (aventureiras) que queriam uma terra somente para si. Uma terra próspera sem os problemas do ¨Velho Mundo¨. O ¨Velho Mundo¨ seria renovado através do além-mar, do ¨Novo Mundo¨, onde havia terra para ¨descobrir¨, ocupar, apossar...É o Des-cobrimento! É a conquista! Como afirma Orlandi,1990:14: ¨Descobrir é dizer o conhecido.¨ É se apossar e dominar uma terra alheia.

A Expansão Lusa.

No ano de 1415 – Portugal conquistou Ceuta. Esse ato significou a sua expansão para o litoral da África e as Ilhas do Atlântico, pois vencia os limites da navegação, era o início de novas conquistas. No séc. XV - com a descoberta do novo caminho para as Índias e a possibilidade de adquirir os produtos orientais por preços mais baixos, transformaram-se no principal objetivo do Estado português. Nesse processo de conquistas e expansão, Lisboa se transformou num centro comercial importantíssimo, pela oferta de produtos concebidos como exóticos no mercado europeu. Anos depois, em 1500 - Cabral oficializou a posse sobre o Brasil. Deu-se início a um grande empreendimento português, uma grande colônia prometia prosperidade e muito lucro.

A expansão espanhola

Em 1492 - a Espanha tendo superado a presença árabe e a divisão interna, reuniu forças para participar das disputas comerciais e exploração do mundo colonial, pois também tinha necessidades mercantis. Cristóvão Colombo, navegador genovês, partiu em agosto de 1492 - rumou alçando a ilha de Guanabara (San Salvador), nas Bahamas, na América Central para descobrir novas terras, novos horizontes que ampliasse a riqueza da Espanha.

Os Traçados Ultramarinos

No séc. XV - a corrida expansionista de Portugal e Espanha gerou controvérsias. Para definir direitos e territórios formularam-se diversos tratados, dos quais o mais antigo é o Tratado de Toledo - assinado em 1480. Esse tratado garantia as terras ao sul das Ilhas Canárias a Portugal, pois assegurava a rota das Índias pelo sul da África. No ano de 1493 pela Bula Intercoetera, o papa Alexandre VI determinou a partilha ultramarina entre espanhóis e portugueses. Os portugueses acharam que estavam sendo prejudicados, propuseram o Tratado de Tordesilhas. Em 07 de junho de1494 foi decidido que a Espanha ficaria com as terras descobertas ao ocidente de uma linha imaginária, tirada de pólo a pólo, e a 70 léguas das ilhas do Cabo Verde, cabendo a Portugal a que se descobrisse ao oriente. Com esta divisão, a Espanha ganhava quase toda a América, os estados do: Amazonas, Pará, Mato Grosso, quase todo Goiás, 2/3 de S. Paulo, parte de Minas Gerais, todo Paraná, Sta. Catarina e Rio Grande do Sul. Para Portugal cabia um pedaço de terra à foz do Rio-Madeira, na Amazônia. No ano de 1.500 – o espanhol Vicente Yanez Pinzon atingiu o Brasil, na altura de Pernambuco, visitando Povo Dias o estuário do Amazonas. Pelo Tratado de Tordesilhas, os Portugueses não deviam passar além do estuário do Amazonas. Em 1532 - Francisco Pizarro, chegou ao Peru, encontrando o povo Inca. Os espanhóis estabeleceram-se em seguida, organizando a administração pública nos moldes da Espanha. Pizarro se tornou autoridade suprema do território. A Espanha tinha-se espalhado pelas terras da América Central e Andina. E a Amazônia compreendia-se uma região sob seu governo. Até 1538 devido a falta de recursos financeiros, muitas pessoas doentes e que também faleceram, a exploração fora abandonada e fechada.



AS CONQUISTAS NA AMAZÔNIA

Espanholas

Em 1538 - Pedro de Anzurey reiniciou a abertura para Amazônia, com uma expedição com muitos índios, espanhóis, através dos Andes, mas não obteve sucesso. As várias intempéries de fator climático, temporal, geográfico e a falta de conhecimento da mata impossibilitaram o avanço da expansão territorial. No mês de fevereiro de 1541 - Pizarro partiu de Quito (Peru) para encontrar o “El Dorado”. Orellana que estava em Guaiaquil, chegou depois da expedição com fome e sem dinheiro, mas mesmo assim partiu em busca de seu líder. Pois as maiores dificuldades a serem enfrentadas eram os desafios da região tropical, desconhecida para o mundo europeu. Artur Reis, 1989:43, ao descrever sobre a conquista do Amazonas, relata a entrada nas matas e rios afirma:

¨...Se impressionaram com a expansão do rio. A Amazônia aparecia-lhes em seus aspectos selvagens, em toda sua grandeza assombrosa.¨

Pizarro em sua expedição adoeceu de tal forma que foi acolhido por um cacique que lhe deu assistência necessária, com medicação e alimentos. Ali, com o índio, Pizarro permaneceu dois meses. Várias tentativas foram realizadas para continuar com a expansão espanhola, mas no séc.XVI os espanhóis deixaram a Amazônia. Morreram muitos espanhóis de sua expedição, bem como muitos índios que fizeram parte da mesma para auxiliarem no enfrentamento da mata com suas belezas naturais, mas difícil de ser enfrentada, principalmente para quem não conhecia. Contam os relatos de viagem, que a expedição, em certo momento não tinha mais nada a comer, pois os índios morreram de fome e de doenças e os que sobraram se recusaram a continuar a trabalhar com os espanhóis. Neide Gondim em sua obra Invenção da Amazônia, analisa a postura do europeu ao ter encontrado o ¨Paraíso Perdido¨, o ¨Eldorado¨, a ¨Fonte de Juventude¨. E afirma que:
A viagem pelo Amazonas é dividida em três etapas: a reação, regressiva e a pretérita. O conjunto ora apresenta-se conforme suas características naturais específicas.
No período de 1580 - 1640 devido a todo um contexto histórico, social e político e a morte de D. Henrique, rei de Portugal, deu-se a anexação de Portugal a Espanha. Nessa época, isto é em 1595, holandeses, ingleses, franceses, tentam a colonização da Amazônia. Foram realizadas inúmeras tentativas de colonização. Entre 1530 e 1668 dezenas de expedições desceram dos Andes para a selva tropical enfrentando também todos os desafios da mata e dos rios.

Novas Tentativas de Colonização.

No ano de 1538 - o imperador Carlos V, da Espanha, outorgou aos comerciantes da cidade de Augsburg o direito de posse de uma parte da Venezuela, procurando assim uma tentativa estratégica para entrar na Amazônia. Várias expedições tentaram ocupá-la. Pedro de Candia e Pedro Anzurey tentaram explora-lá, em 1533 entrando pelo rio Madre de Dios e o Beni (Bolívia). George de Spires, sucessor de Alfinger, em 1536, tentou uma outra expedição, porém não obteve lucros. Em abril de 1539, Alonso de Alvarado fundou a cidade que hoje é Chahapoyos, no vale do Marañon. Em 1541 - o alemão, Philip von Huten, viajou pelo rio Caquetá por quase 1 ano, sem sucesso. Ao voltar para o litoral da Venezuela, encontrou a povoação alemã ocupada por piratas espanhóis, e foi decapitado.

Pizarro confiara o cargo a Francisco Orellana para continuar a obra de conquista. Sua expedição detectou como se formava o rio Amazonas: ¨pela direita e pela esquerda¨: Rio Negro e Rio Madeira, tentando desembarque nas aldeias indígenas em vários trechos do rio. Nessa mesma época de 1541, Orellana encontrou as índias Amazonas, diferentes das outras índias. Um ano depois atingiu o Antlântico. Orellana recebeu em 13 de fevereiro de 1544 o título de Adelantado, Governador e Capitão General das terras que colonizou, a Nova Andaluzia – depois chamada de Amazônia. Há controvérsias quanto a viagem de Orellana. Historiadores afirmam que ele teria entrado pelo rio Pará, e outros pelo Amazonas. Veio a falecer em 1546. Outros navegadores pretenderam chegar até a Amazônia, entrando pelo Atlântico: Luiz de Melo da Silva e o piloto francês João Afonso, sem, porém, alcançar o objetivo. Houve várias outras tentativas espanholas para ocupação da Amazônia em 1560: Pedro de Ursua, Gusman e Lope de Aguirre. Muitas lendas e histórias eram tecidas a respeito do Dorado recolhido. Entre muitas que eram contadas, se dizia que: havia tanta riqueza que era impossível medir; os templos, os palácios, a pavimentação das ruas da cidade de Manao eram construídos com ouro puro; o rei ao banhar-se, pelas manhãs, banhava-se num lago de águas perfumadas, sobre as quais lançavam ouro em pó.

Reação Portuguesa.

A obra dos portugueses, nesse período foi muito vagarosa, pois havia pouca gente no reino de Portugal para vir ao Brasil, principalmente para trabalhar. Por volta de 1600, pelo lado do Atlântico começou a ser ocupada a terra do Amazonas. Holandeses, ingleses e franceses disputaram as terras invadindo a explorando o delta do rio comercializando com os nativos, como se fossem donos da região. Os portugueses partiram de Pernambuco à caça dos franceses que estavam se fixando nas costas brasileiras, no Maranhão, onde S. Luiz era o sítio mais importante da colônia francesa. Eles atingiram a colônia em 1616. Nesse mesmo ano Francisco Caldeira Castelo Branco comandou uma expedição, expulsou os franceses do Maranhão e avançou para o norte, fundando o Forte do Presépio que se tornou o núcleo de origem da povoação de Belém e base de operações dos portugueses contra os estrangeiros.
Em 1612 - os primeiros jesuítas entraram no Maranhão, onde se encarregaram da catequese dos nativos, submetendo-os aos trabalhos aos colonizadores. Segundo o pensamento europeu: ¨... mostravam necessidades de trazer as tribos ao convívio da civilização européia¨.
No ano de 1621 - sob o comando de Pedro Teixeira, os portugueses esmagaram os últimos postos ingleses, irlandeses e holandeses. Além de Teixeira, sertanistas entraram no território amazonense. Estes avançaram muito mais que Teixeira. Partiram de Belém, Gurupá e Cametá, passando por Tapajós, pelo Ocidente, rumo aos limites com as colônias espanholas e adiantaram-se até o rio Solimões, com o objetivo de buscar ouro e drogas do sertão. E ao adentrarem na mata caçavam os índios. Porém, não foram bem sucedidos nas pesquisas para as descobertas das minas de ouro, colhiam com dificuldades as drogas do sertão. A caça ao índio era mais lucrativa, porém mais trabalhosa. Em 10 anos os portugueses se tornaram ocupantes da Amazônia. Entre 1600 e 1630 - os portugueses consolidaram o seu total domínio da boca do rio Amazonas. Em 28 de outubro de 1637 - sob o comando de Pedro Teixeira, a expedição partiu do Porto de Belém com toda segurança, obtendo sucessos. O Tratado de Tordesilhas foi violado em quase 1.500 milhas. Em 1669 - para impedir a passagem de navios holandeses que desciam do Orenoco para comercializar com os índios Omágua, o comandante Pedro da Costa Favela construiu a fortaleza da Barra de S. José do Rio Negro. Frei Teodoro (franciscano) foi responsável pelo aldeamento dos índios Tarumá, na boca do rio Negro, dando a origem ao povoado que no futuro seria a cidade de Manaus.



A INTEGRAÇÃO DA AMAZÔNIA AO COLONIALISMO MERCANTIL


A Amazônia constituiu-se um mundo diverso do restante do Brasil, pelos seus aspectos geográficos, naturais e culturais, distinto de várias outras naturezas. E como suas condições econômicas eram diferentes do restante do país, a administração e legislação também eram especiais. Conforme Érico Veríssimo: “Uma história, senão diversa, pelo independente da do Brasil”. Artur Reis, denominava Portugal até o séc. XV de monarquia agrária. Afirma que deste século em diante alterou sua fisionomia sócio-econômica, por força dos empreendimentos marítimos que lhes faltaram em detrimento dos poucos rendimentos das especiarias do Oriente e da África, e depois a lavoura do Brasil, com suas riquezas naturais, a matéria prima e os produtos do solo atenderam as necessidades mercantis da Coroa Portuguesa.
A Amazônia, na verdade, se apresentava de forma peculiar. Portugal via como a grande empresa onde dominaria, pois já trazia experiência de séculos. Não foi difícil colonizar mais uma parte do ¨Novo Mundo¨. A Amazônia era vista como o “El Dorado”, onde se encontrariam espécies variadas de vegetais aproveitáveis, principalmente na alimentação e na farmacopéia. Na sua esplêndida mata, os colonizadores encontraram uma variedade de plantas, que denominaram a chamada de drogas do sertão, pela utilidade que as mesmas apresentaram para o mercado europeu. Produtos que no Oriente e na Europa eram denominadas de especiarias.
Essas drogas (especiarias) da Amazônia eram: o cacau, a salsa, o urucum, as sementes oleaginosas, o paturi, o cravo, a canela, a baunilha, as raízes aromáticas, e tantas outras.
A Europa procurava as “drogas” com mais intenso interesse, pois as dificuldades da colheita das especiarias no Oriente, onde outros povos, bem mais armados e preparados tecnicamente, concorriam com os portugueses.
O extremo-norte do Brasil se apresentava para Portugal, como um ponto estratégico, geograficamente e também comercialmente, de início, sem concorrências, constituindo uma verdadeira revelação ao Reino Português. Sérgio Buarque de Holanda, historiador brasileiro, em suas pesquisas constata num documento, que:

¨Um português – comentava certo viajante em fins do século XVIII – pode fretar um navio para o Brasil com menos dificuldade do que lhe é preciso para ir a cavalo de Lisboa ao Porto¨.

Buarque de Holanda, id ib, ainda questiona:
¨E essa ânsia de prosperidade sem custo, de títulos honoríficos, de posições e riquezas fáceis, tão notoriamente característica das gentes de nossa terra, não é bem uma das manifestações mais cruas do espírito de aventura?¨
Portugal esperava encontrar um sucedâneo da Índia, que satisfizesse as necessidades mercantis para a riqueza de sua Coroa. Nos relatos e documentos encontrados consta que : “As ordens e instruções, para se incorporasse à riqueza da colônia, a grossa produção do sertão, durante os séc. XVII e XVIII foram realizadas”. Ainda em 1797 - a Metrópole mandava que se buscasse encontrar algumas drogas raras, mas necessárias, o quina, o paxuri, a árvore da casca preciosa e o salitre. Reis,1982:92 afirma que: “Do Natal até S. João, fazia-se a colheita do cacau silvestre com cravo. Se penetravam todos os cursos fluviais com os olhares voltados para a floresta amiga..... As drogas do sertão são para o Estado do Pará o mesmo que as minas têm sido para Portugal”. Na verdade, a Amazônia constituía a

última fronteira de riquezas naturais para a Metrópole. Sua economia deveria suprir as necessidades e os problemas de Portugal. A Amazônia era vista como o Eldorado não só pela imensidão de suas terras, matas e rios, mas a promessa do empreendimento era voltuoso.
Ainda segundo Reis, id ib.:

¨A economia não deveria se apoiar só na colheita da produção natural, deveria se apoiar também no “trato da Terra”, devido ao novo clima e temperamento do céu, nela se podendo cultivar espécies de toda a redondeza do mundo.¨

Os Holandeses e ingleses, ao ocuparem uma parte da Amazônia já cultivavam em suas feitorias a cana de açúcar, obtendo resultados positivos, principalmente em Belém onde foi realizada primeira tentativa do plantio da cana de açúcar. Os portugueses, em seguida, cultivaram as próprias drogas: cacau, cravo, canela e baunilha. Para os colonos eram dados prêmios em dinheiro, em garantias, concessões, facilidades que serviam de incentivos para continuarem a trabalhar na terra. Em 1731 o lavrador solicitava as mercês (recompensas) prometidas pelas cartas régias, à Caravana de Belém e ao governador do estado para implementar na sua obra. Constatou-se que nessa época esse mesmo lavrador plantou 18.900 pés de cacau. (REIS,1993:93) Foram ainda plantadas outras espécies como: o anil, o café, o algodão e o tabaco. Havia uma legislação que amparava e protegia a atividade do colono. Ele era isento de impostos e tinha instruções de procedimentos da colheita. (id ib) Essa experiência de cultivo durou até meados do séc. XVIII. De Pombal em diante, ao realizar a reforma na Metrópole através da Amazônia, continuou-se tal cultivo e foram introduzidos outros tipos exóticos. (id.ib:94) Já nesta época, segundo as afirmações de Mendonça Furtado, o objetivo era transformar o Estado num grande campo onde o colono exercitasse a larga agricultura. As atividades agrícolas eram assim distribuídas: o anil aconselhava pelo Reino, foi desenvolvido principalmente na capitania de S. José do Rio Negro. O arroz,, o café, o cacau, o tabaco, continuaram a ser trabalhados. A maior lavoura era das manibas, de que se fazia farinha, base da alimentação indígena, a que o colono foi se adaptando. Novos gêneros eram o cânhamo, o linho, pimenta, nós moscada, frutos europeus. De Cayena chegavam várias, espécies cobiçadas e imediatamente cultivadas. Para assistir os colonos com mudas e sementes, o capitão-general Souza Coutinho estabeleceu em Belém, um grande horto, que recebeu o título de Jardim Botânico, sendo louvada por Lisboa a iniciativa.Por parte da coroa eram emitidos elogios e aplausos pelo sucesso da agricultura e pelos seus novos empreendimentos.
O progresso da agricultura encontrava entrave forte na concorrência das “drogas”, sempre lembradas de Portugal, na pobreza dos colonos, forçados a empresas de vulto, na resistência do índio que não se substitua pelo africano pela falta de conhecimentos técnicos dos povoadores, improdutividade dos diretores de povoados, mais interessados em operações imediatas de comércio. A política protecionista, em consequência, não podia surtir efeitos sensíveis. Os empreendedores na Amazônia, como por exemplo, D. Francisco de Souza Coutinho, comunicava à Metrópole a série de esforços que vinha desempenhando para tirar o Estado da condição de produtor, unicamente em especiarias, pois o medo de Portugal era perder essa terra. Outra tentação do colono na Amazônia (como em todas as partes do mundo), era explorar a riqueza do sub-solo, principalmente na Amazônia, pelo fato de ter-se criado o mito do ouro. Tendo em vista tal objetivo, várias expedições, com o povo oficial, foram realizadas, procurando os POTOSIS.
Em 1640 - Bartolomeu Barreiro de Athayde, saiu de Belém em busca de um Rio do Ouro, que nunca foi identificado. Anos após, em 1647 – partiu outra expedição com a mesma finalidade e sem


resultados. Para a exploração do subsolo com a pretensão de encontrar ouro, tantas outras expedições foram realizadas:

• Paulistas descendo o Mato Grosso, de Goiás, pelo Rio Madeira, pelo Rio Tapajós e pelo Rio Tocantins.
• Em 1673 - na Corte correu a notícia de que no Rio Tocantins os bandeirantes da Paulicéia tinham afinal encontrada usinas. O Pe.Antônio Raposo verificou, onde D. Pedro sulcou o rio, e nada encontrou.
• Várias tentativas foram realizadas, mas todos foram falsos descobrimentos, de forma que o governo português proibiu qualquer aventura para descobrir minas de ouro.

Outra fonte de riqueza foi encontrada pelos portugueses – a pesca. Foram encontrados os rios com peixes de vários tamanhos e cores, para todas as utilidades, inclusive para o comércio. Os campos de Marajó (localizados no norte de Belém) - ofereciam boa pastagem, clima ameno, propício para fundação de fazendas para criação de gado.

• Em 1680 - Francisco Rodrigues Pereira - fundou a primeira fazenda.
• 1696 - Os religiosos das Mercês também instalaram fazendas.
• Em 1759 - só os Jesuítas possuíam 136.000 cabeças de gado.
• Em 1793 - na ilha, haviam 153 fazendas de gado
• O aproveitamento fabril da flora e da fauna regionais consistiu objeto de ocupação do colono.O gentio trabalhava, em moldes ainda rudes, no preparo da manteiga de tartaruga, farinhas e artefatos de borracha.
• Em 1751 - contavam-se 42 engenhocas no Pará.
• No fabrico do anil - eram sistemas muito primitivas, montados sob o aplauso do Estado que ajudou com a isenção de taxas e outros favores.
• No Solimões - manufatura-se a manteiga de tartaruga.
• Em Salinas, na beira do mar, aproveitava-se o sal.
• No final do século, a atividade industrial cresceu.
• 1784 - Belém - 07 engenhos de descascadores de arroz, fiadores de algodão.
• O leite da seringueira começou a ser aproveitado em pequenos artefatos.
• O cacau para o fabrico de chocolate. Na capitania de S. José do Rio Negro o governador montou estabelecimentos de fiação de algodão e outras fibras.

A Amazônia foi ocupada em todos os aspectos, principalmente foi constituída em função da água e da floresta e esta ocupada apenas nas margens dos rios, igarapés, lagos, onde o colono e o nativo fizeram a clareia necessária à pousada que levantaram. Mendonça Furtado dizia: “A Amazonas era a estrada real”. O governo lusitano não permitiu o estrangeiro ao acesso à região. A navegação do Madeira por onde podia passar o contrabando do ouro do Mato Grosso, o espanhol descer de Santa Cruz, foi fechada pelo Alvará de 27/10/1733. . A do Tocantins, foi decretado em 10/01/1730. O alvará de 14/11/1752 - abrira o Rio Madeira, abrindo relações comerciais com as outras capitanias. Em 1761 foi inaugurado o estaleiro em Belém, que substituiu a velha Casa das Canoas, onde a Cia. Do Comércio do Grão-Pará construiu três grandes navios para viagens à Europa. Durante um século e meio se praticava o escambo.


No interior do Estado os produtos eram trocados porque não circulava dinheiro. Tudo se pagava em gêneros: rolos de pano, novelos de fino, cacau e cravo, inclusive o vencimento (salário) do funcionalismo.
Em 1726 - circulava algum dinheiro, vindo do interior do Maranhão, que receberam nas comunicações com Pernambuco. Em 1743 - foi oficializado o salário dos oficiais em moeda. A circulação oficial iniciou em 1749 - remetidos de Lisboa para o estado do Maranhão e Grão -Pará. O comércio não tinha nenhum incentivo judiciário, continuando nas mãos de regatões, “traficantes”, mantendo na canoa tripulada de índios para irem aos sítios dos lavradores, estabelecidos em diversos rios, lagos, fazendo permuta de gêneros. Era todo um processo primitivo.
As relações com o exterior se faziam apenas com Lisboa, em charruas que tocavam o porto de Belém em épocas determinadas. Em 1759 - a Câmara de Belém requereu a vinda de navios para buscar a produção da Capitania.
No fim do séc. XVIII em diante, no início da Revolução Industrial, de Belém foram embarcados arrobas de cacau, algodão, café, arroz, o que se juntava em grande escala, a madeira, para a construção de edifícios reais e de embarcações no Arsenal de Lisboa. Entre 1773 e 1802 foram exportados milhares de toneladas de produtos: cacau, milho, arroz, café. No ano de 1809 - iniciou-se a exportação da seringa, para a Inglaterra. A abertura dos portos brasileiros ao comércio das nações amigas, abriu novos horizontes. Belém começou a comercializar com a Inglaterra, América do Norte, Antilhas e Holanda.

O Povoamento e a Mão de Obra utilizada na Economia

Os elementos humanos que contribuíram para o povoamento foram os mesmos que encontramos no restante do Brasil:

• O índio – uma população numerosa, porém não era considerado fonte suficientemente para o duro trabalho, por isso era caçado violentamente pelo sertanista, reunido em aldeamento pelos Missionários e descido pelas autoridades civis e militares. O aldeamento foi o núcleo humano com maior número de membros e era utilizado para todo tipo de tarefas.
• O negro africano – não foi tão representativo, mas era escravizado. Como a agricultura era incipiente não se fazia tão necessária sua mão de obra. A falta de fundos financeiros não permitia o comércio negreiro dos colonos, mesmo com a insistência das representações do governo para que se facilitasse o mercado negreiro. Os primeiros negros foram introduzidos pelos holandeses.

A Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará trouxe 12.587 pessoas para a região, sendo 7.606 escravos. No início da colonização da Amazônia, a força de trabalho do negro era desprezada, devido às facilidades do aprisionamento dos índios. A Lei de 06 de junho de 1755 aboliu a escravização do índio, daí a procura do negro foi se intensificando. Ainda em 1616, com a fundação do Presépio os portugueses já cogitavam em trazer os açorianos. Entre 1620 e 1921 chegaram mais de 200 pessoas que se distribuíam pelas capitanias. Anos depois, em 1667, foram distribuídos nos distritos políticos – um pouco mais de 700 pessoas. Cada capitão mor ou governador que chegava de Portugal a Belém trazia consigo novos povoadores. As primeiras décadas de colonização da Amazônia as expedições coletoras eram baseadas na base da produção. A atividade era organizada com os índios, espalhados em diversas áreas para extraírem substâncias naturais: óleo de tartaruga, especiarias, madeiras de lei, óleos vegetais


e sementes de cacau. Em troca recebiam dos missionários e comerciantes portugueses, ferramentas, bugigangas e ocasionalmente salário.
A Coroa Portuguesa, oficialmente estimulava empreendimentos agrícolas, com o objetivo de constituir uma base mais estável para a efetivação da colonização da região. Porém, para o desenvolvimento agrícolas as condições ainda eram enviáveis, porque:

• Era muito distante o acesso aos escravos negros
• O transporte muito caro
• A Amazônia não ostentava recursos agrícolas excepcionais e nem metais preciosos.
• Baixa produção nas colheitas.
• A maioria dos colonos da Amazônia eram pobres para comprar escravos.

A solução encontrada pelos colonos portugueses era escravizar os índios para utiliza-los como mão-de-obra. Devido aos maus tratos aos índios, os missionários impediam o acesso aos índios das missões. Esta política hostilizava ainda mais os colonos, cujos investimentos econômicos regrediram por falta de mão-obra, enquanto florescia a agricultura e a pecuária dos jesuítas. A atividade coletora tornou-se atraente para a população ¨cabocla¨ devido às exigências mínimas de capital. Devido a falta de material e de contatos externos, o coletor geralmente tinha que fazer um tipo de acerto com um comerciante local, a fim de adquirir os bens de que necessitava. No período de 1760 a 1822, mais da metade das exportações do Pará, provinha principalmente mais de fontes silvestres do que de plantações (agricultura). Muitos elementos teríamos para discursar sobre a Amazônia, porém finalizo aqui com um pensamento de Neide Gondim,(op.cit):

“Para o estrangeiro, a Amazônia é a metade do início e do fim, é o encontro dos opostos. Vem a ser igualmente, o refúgio da insatisfação do homem diante de seus iguais”.

Fontes

http://www.culturabrasil.org/contestacoes.htm
http://www.amazonia2002.de/Porto_Velho/Moser/Moser_Portugues/body_moser_portugues.html

HISTÓRIA DE RONDÔNIA

ÍNDICE
A Conquista e Colonização da Amazônia
Acre Telúrico e Emblemático
História de Rondônia - Introdução
A História de Rondônia
Porto Velho - Uma Breve História
Porto Velho - Nossa Cidade
Tempo e Espaço Urbano na Amazônia

sábado, 21 de fevereiro de 2009

PORTO VELHO CÁOS

Porto Velho CAOS (Cultura, Arte e Organização Social) ligando Rondônia com todo o Brasil. Rondônia está em fase de mutação. Com a chegada das usinas hidrelétricas muitas empresas estão vindo para cá, gerando empregos e girando a economia do estado.

Shopping, hipermercados, construtor e varias multinacionais estão vindo para cá, fazendo com que este novo estado finalmente cresça.

E nomeio disto tudo surge à primeira Web Rádio Rock do estado, a Porto Velho CAOS, ao contrário do que muitos pensam, o “CAOS” não é de tumulto ou baderna, e sim da união cultural, arte e de trabalho social que está pequena rádio está trazendo para o estado e levando para o resto do país. Com um programa semanal transmitido através do site www.portovelhocaos.com.br ou www.pvhcaos.com.br às 20 horas de Brasília (já com o horário de verão) em uma programação divertida, com convidados locais e também de outros estados, música de boa qualidade e claro divulgando a cena do norte e quebrando paradigmas e preconceitos.

Vale a pena conferir o programa. Aí está uma web rádio que ainda vai dar o que falar.

Participe através do msn: portovelhocaos@hotmail.com pedindo sua música, mostrando suas idéias ou participando da programação.

LINK AKI

http://freakbutterfly.wordpress.com/2008/11/24/porto-velho-caos-cultura-alternativismo-e-organizacao-social-ligando-rondonia-com-todo-o-brasil/


Trailer de TUCUMAN O FILME o super Héroi da Amazônia em breve no cine Amazônia que está disposto a tudo para defender os povos da floresta e que custe o que custar destruirá o maléfico Doctor Tapioca e os seus planos diabólicos.

Assistam tambem com exclusividade o vídeo de entrevista com este grande Super-herói....Esses caras são PHODÁSTICOS...

ESSES EU RECOMENDO

http://grandesmerdaspontocom.blogspot.com/2008/12/blog-post.html

http://www.pvhcaos.com.br/

http://metalro.com/portal/radio-pvh-caos-cobrira-feliz-metal-2008-no-acre/

Filosofando com Celdo Braga

Canto Presente

Com o objetivo de despertar reflexões na mente de nossos telespectadores o musico, escritor e poeta Celdo Braga aceitou o convite da produção do Zappeando e compartilhou conosco um texto de sua autoria e o interpretou para as lentes do Zap levando à tela uma profunda reflexão sobre o ritmo de nossas vidas enquanto amazônidas e a relação desse ritmo com o mundo.

Aos interessados em aceitar esse convite à reflexão, segue o texto do quadro papo filosófico, exibido no último sábado, dia 16 de agosto, na íntegra:

Denilson Novo:

Todo mundo sabe que o tempo é relativo// as vezes um minuto parece levar uma hora e outras vezes dez anos parecem ter acontecido ainda ontem///

Faltam poucos minutos pra acabar o programa de hoje// mas com certeza ainda dá tempo de dedicar um instante para refletir um pouco sobre o tempo///

Abra a sua mente e permita que os seus pensamentos viajem em busca de seus próprios tempos nem que seja apenas por esse breve momento/// está no ar o nosso quadro papo filosófico de hoje///

Celdo Braga

O leso baré é aquele homem que ficou no limbo de um

Tempo que não foi transcodificado nos ritmos que hoje dão o compasso da nossa

Existência amazônica///

A pressa urbana tomou lugar da calma paisagem que durante

Milênios compôs a sincrônica sinfonia da relação homem e floresta/// diante do desafio de aferir o tempo primordial que ainda está latente em meu ser// digo:

Não sou vencido de tempo

desse tempo que alude

feiúra para a velhice

beleza pra juventude

O meu relógio-de-ponto

não marca as horas do dia

ponteia o brilho da aurora

raiando em minha alegria

Desato a vida sem pressa

meu compasso é devagar

não chego fora de hora

pois não paro de chegar

Não deixo minha canoa

correr nas águas do ter

ela navega tranqüila

na singeleza do ser

Meus sonhos nascem alados

mas acontecem no chão

plumas de luz em sementes

em tempo de floração

Não sou velho, nem sou jovem

não sou feio , nem bonito

nasci de tempo e chorando

plantei meu primeiro grito

Na vida lavro meu verso

liberto vivo a cantar

sei de mim, água de rio

meu destino : ser no mar.

E no dizer do homem ribeirinho - por que ter pressa se o

Tempo nunca termina?

Texto: Canto Presente - Celdo Braga